Coluna de Ricardo Aprile Porto Rossi sobre os pensamentos que não conseguimos explicar e o que a psicanálise propõe diante deles.
Existem pensamentos e comportamentos que o sujeito não consegue explicar. Mesmo saindo da própria cabeça, eles aparecem como estranhos a si mesmo: pensamentos intrusivos e persistentes, medos irracionais, inseguranças, rituais repetidos, vícios, agressões, depressões.
Esse estranho dentro de nós, que incomoda, é a peça do quebra-cabeça que falta para compreendermos quem somos, por que sofremos, o que nos falta e o que procuramos para nossa realização.
O estrangeiro, que se tornou assustador, não é nada além de uma parte nossa que foi dissociada da nossa mente a fim de nos poupar sofrimento. Porém, no mundo psíquico, mesmo esquecidos, os forasteiros continuam agindo disfarçadamente.
A psicanálise é um convite, não muito dócil, mas necessário, para a necessidade de unificar esses dois mundos, transformar o estrangeiro em conterrâneo. E a primeira atitude que precisamos ter é perdoar a si mesmo, por tentar expulsá-lo de sua própria casa.
Ricardo Aprile Porto Rossi é psicólogo (CRP 58502/06) e pedagogo, especialista em Psicologia do Esporte. Atende na Rua Barão de Jaguara, 161, sala 74B, no Bosque.
Publicado originalmente na Edição 07 da Revista Tem Aqui no Bosque, página 10. Folheie a edição completa.